Os vários anos de serviços prestados pela velha cama de metal ao Hospital Esaú Matos são evidenciados pela ferrugem que há em sua estrutura tubular. Além disso, uma das chapas se soltou, e há problemas também nas manivelas que, ao serem giradas, permitem regular a altura da cama para o paciente que a estiver utilizando.

Por não apresentar mais condições de ser usado, o equipamento foi retirado do hospital. E permaneceria ali, “encostado” no setor de manutenção, se não fosse entregue aos cuidados do serralheiro Marcos André dos Santos. “Só dessas camas, já reformei umas quinze”, estima Marcos.

Ele vai soldar a chapa que se soltou, consertar e lubrificar as manivelas e, por fim, dar nova pintura à cama hospitalar. Assim que esse serviço for concluído, já está à espera de Marcos uma maca, na qual ele pretende melhorar a lubrificação das rodas, que haviam travado, e também repintar a estrutura tubular.

“A fila é grande, não para”, diz o serralheiro, referindo-se aos quase 50 móveis e objetos hospitalares que aguardam para serem restaurados e reincorporados à rotina do hospital. Desde que foi contratado para trabalhar no setor de manutenção da Fundação Pública de Saúde, em maio de 2017, Marcos já recuperou mais de 60 equipamentos hospitalares. Além das camas e macas, a lista inclui armários de aço, cadeiras giratórias, carrinhos de medicamentos, mesas tubulares e longarinas (cadeiras de três ou quatro lugares, ligadas umas às outras).

‘Patrimônio público’ – Se esses materiais não fossem reformados, o hospital teria de promover licitações para adquirir outros novos. “O serviço do Marcos é interessante, porque, ao invés de comprar novos equipamentos, novas macas e novos armários, nós podemos, sim, reaproveitar muito do que foi utilizado lá”, observa o diretor-geral da Fundação, Felipe Bittencourt. “Isso otimiza muito os gastos e valoriza a coisa pública, como tem que ser”.

Aos 41 anos de idade, com 15 de experiência como soldador e pintor, Marcos diz que se sente “realizado” a cada vez que vê os equipamentos, depois de serem recuperados por ele, servindo novamente às gestantes e aos demais pacientes do Hospital Esaú Matos. “É um patrimônio público que poderia virar sucata, mas a gente recupera e fica novo”, diz. “São equipamentos que servem para as pessoas”.

Segundo Bittencourt, essa lógica de reaproveitamento de materiais deverá ser mantida pela Fundação. “O pensamento é esse: de valorização das ferramentas públicas. O dinheiro de todos nós tem que ser muito bem utilizado”, avalia o diretor-geral.

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